Não apóio golpe contra Dilma

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, foi reeleita para repres...entar o governo dos enormes avanços sociais com inclusão dos pobres em políticas de elevação de renda. A economia do país até então era sólida com baixo índice de desemprego.

No entanto, continuaram as contradições devido ao bloco político de apoio no Congresso, formado inclusive por partidos conservadores e com histórico de envolvimento com a corrupção.

A presidente não conseguiu corrigir seus erros. Há clara falta de diálogo com os movimentos sociais. E ocorreu a adoção de um pacote de ajuste fiscal de matiz conservadora que impactou a classe média e os trabalhadores, anulando os efeitos positivos da política econômica herdada do Governo Lula: juros baixos, desoneração de tributos, incentivo ao mercado interno de consumo.

O atual vácuo de poder está possibilitando ao PSDB apostar na crise institucional para desgastar Dilma. Nesse aspecto, constituiu grave ofensa às liberdades democráticas as manifestações de 10/03/2015 e que revelaram atitudes fascistas contra o Estado Democrático de Direito, com o caráter golpista da destituição da presidente Dilma e execração do PT e partidos e movimentos de esquerda.

No entanto, não houve reação. A sociedade civil democrática não foi conclamada a defender as conquistas sociais.

Esse golpismo foi iniciado em junho/2013. Houve repetição de mentiras com intenção de construir "verdades" enganadoras que foram utilizadas nos protestos de rua. Lamentavelmente, replica-se até hoje sem qualquer fundamento que o Bolsa-Família gera preguiça; as obras da Copa foram superfaturadas; a presidente quer calar o Ministério Público, que criou "bolsa-reclusão" e "bolsa-prostituição".

Desde aquela época não houve reação. Dilma e o PT preferiram os conchavos com o PMDB e o dinheiro sujo das empreiteiras para ganhar as eleições de 2014.

Não devemos compactuar com a influência do sistema financeiro na atual política econômica. É o momento, sim, de defendermos a Constituição, a qual é fundamentada na democracia e na liberdade de livre pensamento e de livre escolha dos representantes políticos.

É preciso garantir o mandato legítimo da presidente Dilma, porém, utilizando os mecanismos da democracia para pressionarmos criticamente o governo na retomada das políticas de redistribuição de renda, para que o ônus da atual crise seja destinado às elites ricas.